segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

479. Homenagem a Mariana, Bacharel Magna cum Laude


No dia 9 do corrente mês de janeiro de 2020, recebeu, com extraordinário brilhantismo, na PUC desta cidade do Rio de Janeiro, o diploma de bacharel na Ciência de Relações Internacionais, minha neta, Mariana, cujos estudos acompanhei, desde a pré-alfabetização até o final dos quatro anos de curso universitário.

Em comemoração a esse fato glorioso para Mariana e familiares, coloco neste meu blog a capa e o Prefácio de um livro que projetei produzir, mas não realizei, para uso e recordação de Mariana.


  
                       Bem Vinda,
    MARIANA!
  
·      A VIDA é uma CONQUISTA!
· RESPEITO é a regra áurea da conduta humana.
MUITO CARINHO e BEIJOS
dos avós
Marucha e Edgardo
18/05/97





PREFÁCIO


Este livro é escrito para você, Mariana, com muito amor e carinho, pelo seu avô Edgardo. Pretende descrever-lhe o grande amor e expectativa de seus pais e avós que  cercaram o seu nascimento e acompanharam o seu desenvolvimento. Revelar-lhe quanto você foi desejada. Dizer-lhe sobre coisas de sua vida que você viveu, pequenina e inconsciente, e que, crescida, certamente terá curiosidade de saber. Falar-lhe da persistente e intensa preocupação de seus pais e avós com seu bem-estar e formação, ao longo de sua vida. Descrever-lhe as alegrias e o enlevo que você nos proporcionou e as preocupações que ensejou.
Este livro pretende ser o melhor presente de seus avós paternos, Marucha e Edgardo. Constituirá, sem dúvida, trilha de luz e calor humano que cortará as paisagens de um trecho de sua vida, provavelmente o primeiro ou primeiros trechos. Percorrendo-a, você sentir-se-á acompanhada e protegida. Compreenderá o sentido de sua vida e quanto ela foi e é preciosa para os seus familiares. Conhecer-se-á a si própria e perceberá a direção que a norteia na vida. Você entenderá que, pessoa do povo como bilhões de seres humanos, você é especial e preciosa para nós e para você, porque em geral os indivíduos são importantes para algumas pessoas: as da família e alguns poucos conhecidos.
Este livro tem a pretensão de vir a ser o mais belo e importante para você. Propõe-se preencher-lhe as horas vazias. Fazer-lhe companhia nos momentos de solidão. Revelar-lhe o amor em todos os instantes. Infundir-lhe coragem nas ocasiões decisivas. Ele é escrito para perpetuar a imagem e a presença dos avós, Marucha e Edgardo, junto de você.
Mariana, quando você compreender o amor, você perceberá a mensagem que os seus avós paternos, Marucha e Edgardo, lhe querem transmitir com este livro: Mariana, nós a amamos muito, muito mesmo!...
Marucha e Edgardo
03/09/97
ano de mariana

















segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

478. Mensagem


Senhor, enquanto tantos, por aí, agradecem à sorte e a pessoas pelas coisas boas que lhes acontecem e praguejam também pelo seu azar,

Eu, Pai, agradeço a Ti o que recebi e Te louvo, Senhor, pelo que quis e não consegui, porque sei que quando for chegada a hora tudo me virá Dele por Ti.

Pai, enquanto tantos choram por coisas fúteis e sem valor, eu Te peço que faças de mim não um fotógrafo, mas sim um explorador.

Eu Te agradeço, Pai, por poder ver um novo amanhecer, enquanto tantos agonizam.

Poder ajudar, dar a minha mão para alguém se erguer, enquanto outros fecham suas mãos e aprisionam seu coração.

Eu Te agradeço, Pai, por Tu a cada dia me dares força para seguir em frente, enquanto tantos se apoiam em mágicas que aos poucos se desfazem.

Eu Te agradeço, Pai, por Tu a cada dia me abrires uma nova porta, porta de alegria, sabedoria e compreensão através de Tua palavra, enquanto tantos não conseguem transpor suas próprias portas por elas permanecerem eternamente fechadas.

Obrigado, Pai, por Teu filho, Jesus, que morreu na cruz para me salvar.

Obrigado, Pai, por eu Te conhecer e amar.

Obrigado por eu ser Teu filho e irmão de Jesus.

E, Pai, só tenho uma coisa a Ti pedir. Eu Te peço palavras, palavras para mostrar a todos que Tu, meu Deus, és real, és um Deus de amor e paz, um Deus que nos criou, não um Deus criado por nós.


Adhemar de Aguiar Rego

                                                         Ano de  1978
NB. Mais uma homenagem ao meu filho Adhemar, nesta publicação de um texto, escrito no ano de seu falecimento, sob a influência religiosa da mãe e dos mestres do educandário Guido de Fontgalland, do Rio de Janeiro.




domingo, 29 de dezembro de 2019

477. MÃE



Sei que um dia vou partir
Novos rumos e caminhos vou seguir
Mas a você não vou esquecer.

O seu rosto, sua ternura
Em nenhum lugar
Beleza igual vou encontrar
O amanhecer sobre o mar
Não perturba a luz do seu olhar
E a rosa não é mais macia
Que os carinhos de sua mão.

Você me ensinou a sentir, a sonhar
Me ensinou o valor da palavra irmão
E fez bater meu coração.

Pelos caminhos que for
Nunca vou me esquecer de lembrar
Que você foi quem primeiro me amou
Você me fez ser o que sou
Você é só uma, você é única
Você, MÃE, é a dona do meu coração.
  
                Adhemar de Aguiar Rego
      Ano  de 1977
Esta poesia foi escrita para a mãe, pelo meu filho primogênito, um ano antes de falecer, aos dezoito anos de idade, vitima de um câncer ósseo extremamente agressivo. Dele o Diretor do Instituto Guy de Fontgalland, aqui do Rio de Janeiro, no sermão fúnebre da missa dos funerais que o colégio celebrou, disse: "Jamais esqueceremos desse jovem." Adhemar foi um jovem encantador, física e mentalmente. Vivia a vida intensa e sadiamente, rodeado de amigos e amigas, até que o câncer o abateu corporalmente. Suportou a doença heroicamente. Eterna e doída saudade, meu filho querido!
Edgardo

domingo, 22 de dezembro de 2019

476. A Festa do Natal



Livros respeitáveis me revelam que Einstein afirmou: “A realidade é uma imaginação, e persistente imaginação.” Não tenho dificuldade alguma de admiti-lo como verídico, porque me parece dedução lógica da ideia que Einstein formava da realidade e do valor que ele atribuía ao conhecimento humano.

Einstein pensava que a realidade nada mais é que um campo energético em transformação. Tudo é energia. O espaço é energia. O vácuo é energia, E paradoxalmente a massa é energia.  Mera suposição, a mais provável realidade, opinião que pode ser comprovada por mentes competentes através de experiências, mas nada mais é que uma muito judiciosa opinião, a mais viável.

Esse mundo maravilhoso geográfico, social, familiar, econômico, político internacional, histórico, universal, todo esse mundo, seria, pois, uma organização mental da multiplicidade de construções mentais, imaginações individuais de cada homem existente.  O indivíduo humano é que é referência de todas as coisas, confere sentido a cada, coisa, concebe cada coisa segundo sua capacidade perceptiva. Cria-as. O pensamento de Einstein coincide com o de Protágoras: “O homem é a medida de todas as coisas”, e com o de Sartre ,“O homem se constroi”, com o que Kant também formulou como revolução do pensamento filosófico, conhecemos tão somente o fenômeno.  

A festa de Natal é, portanto, a festa da Vida, a festa da Família, a fábrica das pessoas, como a reconhecia Virginia Satir, que, desde milênios se reúne nessa noite mais longa do ano no hemisfério norte, a noite do nascimento do sol, a noite do início de seu retorno no movimento elíptico em torno da Terra, para comemorar, o fabuloso espetáculo de fatos, cenas, ocorrências, sentimentos, alegrias e tristezas, sorrisos e lágrimas, sensações e pensamentos, luzes, cores, sons, odores e sabores, aconchego e repulsa, acordos e guerras, progresso e retrocesso, que é a Vida.

É a festa do nascimento do Sol, da religação da Luz, do renascimento da Vida, e, na expressão da fé cristã, a troca da roupagem terrena corruptível do corpo individual, pela roupagem incorruptível do corpo celeste místico de Cristo! É a festa anual de celebração do início da construção do Homem Novo, do nascimento do Homem imortal e feliz para toda a eternidade, sonho multimilenar da Humanidade na epopeia babilônica de Gilgamesh, que entendidos interpretam como a mais vigorosa expressão da incessante e eterna insatisfação, a eterna necessidade, a instigar o indivíduo Humano, a Vida: “ Jamais encontrarás o que procuras.”

O Homem está em perpétua construção, perpétua transformação, perpétua iluminação, perpétuo nascimento. A Humanidade está em perpétuo Natal! E o nascimento da Humanidade é o nascimento de tudo, é a Vida! Natal é a celebração da Vida! O Natal é a Festa da Vida!
          

  


sábado, 14 de dezembro de 2019

475. O Futuro do Mercosul



A cidade grega foi uma sociedade fantástica. Num almoço mensal da AAFBB, há poucos anos, em que tive o privilégio de me manifestar na presença de nossa ilustre liderança, o colega Sasseron, em razão de minha argumentação, que se baseava nesse inconteste fato histórico, me contestou alegando a existência do trabalho escravo naquela estupenda sociedade.

Indiscutivelmente a cidade grega era uma civilização muito mais avançada do que todas as que antes existiram e que então existiam. Produto humano, todavia, não podia ser destituído de uma das características dessa produção, que é apresentar-se permanentemente inacabada, em estado de gestação, de continuada transformação para melhor ou para pior.

A cidade grega era a sociedade do cidadão grego. E o cidadão grego era o homem nela nascido, educado e domiciliado que a prezava tanto que admitia contribuir para o pagamento de sua manutenção e fazer a guerra quando dela necessitasse a cidade.

O cidadão grego era o homem rico, dono de latifúndios, porque naqueles tempos a riqueza consistia na posse de terra. O homem grego não estava ocupado no trabalho corporal. O esforço corporal era produzido pelos animais e pelos escravos, seres estes comparáveis aos animais.

O cidadão grego não era, todavia, uma pessoa ociosa. Ele estava ocupado na realização do cidadão ideal, o homem de mente sã num corpo são. Ele se exercitava nos exercícios atléticos, na arte da guerra e no trabalho da cultura, a saber, o estudo das ciências, na produção de poesias, de peças teatrais, e da música. O comércio e a própria produção de palácios e templos, de esculturas e pintura, trabalhos braçais e manuais, não constituíam ocupação de homens ociosos, homens ricos, donos de terra, cidadão grego. Eram ocupação de homens livres, mas não do cidadão grego.

Os cidadãos gregos dedicavam-se, com muito esmero, ao estudo da dialética e da oratória, que lhes eram ensinadas pelos filósofos, os sofistas. Estes eram menosprezados pelos grandes sábios, os grandes filósofos, como Sócrates, Platão e Aristóteles. Os sofistas eram filósofos céticos que descriam da capacidade de o indivíduo humano obter a Verdade, o conhecimento certo, o conhecimento único e universal de cada coisa. Eles admitiam que o conhecimento humano jamais passaria de uma opinião individual, própria, subjetiva das coisas. O importante, pois, era que o indivíduo possuísse uma opinião interessante e altamente proveitosa dos assuntos sob consideração, e soubesse expô-la com poderosa, perspicaz e convincente dialética. Os sofistas eram os professores dos cidadãos gregos, que a cada quinzena se esmeravam na utilização da oratória para convencer os parceiros nas reuniões na ágora, onde debatiam os assuntos de interesse da Cidade, formulavam as leis e as promulgavam. Trabalhar para a cidade, colaborar com o deus da cidade para a sua perenidade, bem-estar e glória, descobrir os planos concebidos para a cidade e realiza-los era a única ocupação reservada para o cidadão grego!

Como se vê, o povo grego era o povo mais evoluído daqueles tempos, os últimos séculos da era pré-cristã. Lançou a semente da civilização atual, a civilização da liberdade, da dignidade da pessoa humana, da igualdade, da justiça, da convivência racional, do Estado de direito, do conhecimento, do progresso, do bem-estar social e do patriotismo.

Nada obstante tudo isso, as cidades gregas não prevaleceram. Alexandre, da Macedônia, educado por Aristóteles, um dos três maiores sábios da Grécia, forma um exército capaz de vencer as tropas gregas e impõe outro destino à Humanidade.

Sob a influência da recordação desse fato histórico é que minha mente repassa tantos episódios de minha quase centenária existência: final da hegemonia inglesa, ascensão norte-americana, tentativa de supremacia alemã e japonesa, segunda guerra mundial, guerra fria russa e norte-americana, supremacia norte-americana, supremacia norte-americana e chinesa, dispersão do poderio bélico nuclear.

Um fato me parece indiscutível, as duas áreas geográficas desnuclearizadas, a América Latina e o Continente Africano não têm a menor chance de decidir o próximo passo da História. Pacificamente, a direção imediata da História está sendo decidida pelos Estados Unidos e China. Belicamente, o primeiro passo da História será dado por qualquer das nações nuclearizadas, entre as quais avultam como mais fortes candidatas, no momento, Coreia do Norte, Israel, Estados Unidos e Irã.

Não tenho informação sobre o que restaria da Terra, depois da ocorrência de uma conflagração atômica mundial. Creio que a normalização da vida  e da sociedade humana só ocorreria passados séculos. Aí, então, África e América Latina surgem como candidatos a palcos da reconstrução da História... A vida é um acidente frágil e raro, mas persistente...

A aceleração dos passos normais do progresso do Mercosul está, na minha opinião, fortemente freada por sua posição geográfica. Entendo o que se passava pela mente do Presidente Nestor Jost, quando em fins de 1969 me levou com ele à África (África do Sul, Moçambique e Angola), mercados próximos, numa tentativa de incrementar o fluxo de comércio próximo e confiável entre o Brasil e a África.... Persistente sonho de certas lideranças brasileiras, com fortes obstruções, sobretudo sociais.

E ainda exigiria concomitante e extraorninário desenvolvimento científico, técnico e econômico brasileiro.  


sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

474. O Segredo da Dinamarca


Em 2012 a jornalista inglesa Helen Russell mudou-se com o marido, que obtivera emprego lá, para a Dinamarca que, no ano anterior fora classificada como a nação mais feliz do Mundo pela ONU.

Conceituada jornalista, correspondente do The Guardian e com coluna no The Telegraph, dedicou-se a descobrir a razão por que a Dinamarca era o país mais feliz do mundo. E revelou a sua descoberta, no livro que publicou em 2015, “O Segredo da Dinamarca”, um dos livros mais vendidos na Inglaterra.

Listou 10 motivos, entre eles, a confiabilidade do cidadão dinamarquês: a pessoa que está a seu lado, você pode não conhecê-la, mas você pode confiar nela; ela não lhe fará nenhum mal; se encetar algum relacionamento com você, é certamente um relacionamento benéfico. Você vive com sensação de segurança.

Outro motivo é a igualdade de condição econômica, porque o imposto de renda progressivo (atinge até 51% das rendas mais altas) faz as remunerações mais altas apresentarem pouca diferença com relação às mais baixas.

Uma terceira razão é a proteção do Estado, que paga toda a formação que o cidadão desejar (paga até 80% da renda do cidadão que deseja estudar para mudar de profissão), paga a previdência social para os cidadãos inabilitados por doença ou acidente e proporciona o mais moderno tratamento médico-hospitalar para os doentes.

O cidadão dinamarquês ama o seu Estado, aprecia pagar a enorme carga tributária que paga. e se sente feliz. Vive, no entanto, em um país de clima terrivelmente adverso (seis meses enfurnado em casa, ao abrigo do frio do inverno de  -22º, país reduzido a duas produções naturais, pescado num mar, metade do ano, e couro de marta). Até aqui o texto redigido por minha mulher, em suas mensagens entre amigos no chat telefônico.

Permito-me acrescer mais um motivo, retirado da leitura do livro, o resumo da sensação experimentada na sua leitura. Vivenciei a emoção de conhecer um povo que valoriza a sua sociedade, que percebe que o Estado funciona para proporcionar-lhe uma Vida Boa, e entende que isso só pode viabilizar-se se ele retribuir com trabalho responsável e  relacionamento respeitoso que contribuam para essa vida boa. Evita que sua convivência inflija injusto prejuízo a qualquer outro concidadão. Extrai-se a impressão de que o povo dinamarquês possui elevado nível de educação. Ele realiza, de fato, o ideal de felicidade preconizado pelos sábios contemporâneos, “uma vida boa, sem dor no corpo e sem angústia na alma”, O cidadão trabalha moderadamente, mas é excepcionalmente produtivo. A Dinamarca poderia também ufanar-se de seu povo, como faz a Finlândia, que já foi também a primeira nação do Mundo pelo Índice da Felicidade Nacional,. A Finlândia, outro país pequeno e de reduzida capacidade produtiva, exalta o seu povo no seu hino nacional que diz ser a riqueza do país e a sua glória.

  

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

473 Salim Mattar, Constituição, ONU e CASSI



Acabo de ler no Google que o Secretário de Desburocratização do atual governo Brasileiro, o do ínclito Presidente Jair Bolsonaro, cidadão temente a Deus, segundo se declara, e militar da reserva, cujo lema de governo é Pátria amada, em quem votei para a Presidência da República, em razão do seu programa de extirpação da corrupção na administração pública,  é o senhor Salim Mattar, empresário exitoso, dono da maior empresa brasileira de aluguel de carro com ramificação em vários países da América do Sul, cidadão, sem dúvida, respeitável pelo que já realizou.

A notícia relatava a entusiástica homenagem que a classe industrial mineira lhe prestou e a opinião que ele expressou nessa ocasião sobre a Constituição Brasileira, que ele deprecia por ser social democrática: “Ele condenou a constituição de 1988 e os “90 direitos e 7 deveres” que garantiu ao cidadão”.

Tentei, sem sucesso, obter informações sobre o nível de instrução do Sr. Salim Mattar. Queria saber se tinha formação acadêmica e de que nível e qualidade. Seja como for, estranho, e muito, que haja aceito o cargo de Secretário da Desburocratização, confundindo burocracia com Seguridade social. Seguridade Social, garantia estatal de subsistência, previdência e assistência à saúde, nas situações adversas da vida, é aspiração multimilenar humana que se extrai desde os primeiros escritos humanos sumerianos, há uns cinco mil anos. Passaram a integrar as constituições dos Estados, desde o final do século XIX, como direito fundamental social dos povos, porque penhor da paz social, condição imprescindível para que exista progresso. Eu recebi, em meu gabinete de Gerente da Carteira de Câmbio do Banco do Brasil, na década de 70 do século passado, notáveis empresários de São Paulo, chorando as quebradeiras que os operários, chefiados pelo notávl líder trabalhista Lula provocavam nas fábricas, e revelando que pretendiam transferir-se para o estrangeiro.

Visitei o portal da Localiza na Internet e percebi que o Dr. Salim deve ser um entusiasta da liberdade. Ficou-me a impressão de que ele pensa que liberdade é fazer tudo o que se deseja e pode conseguir, e confunde liberdade com livre arbítrio. Não me parece que já haja percebido que volumosos livros textos de Psicologia dos mestres mundiais das universidades norte-americanas tratam da atividade humana como se fosse um produto do cérebro tal qual é a urina dos rins e a bílis do fígado. O conceituado livro texto de Neurologia, “Cem Bilhões de Neurônios”, do professor Roberto Lendt, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, informa que atualmente se discute se existe o livre arbítrio. Creio que o Dr. Salim ainda não percebeu que a ciência do Direito hodiernamente se reporta ao crime como se fosse uma anomalia e o criminoso como se doente fosse, uma vitima de doença contaminável, que deve ser apartado da comunidade para cura, mas, logo, sanado, precisa nela reintegrar-se, porque ela é o seu hábitat natural.

A liberdade, pois, consistiria no trabalho conjunto de formular a Lei que embasa a sociedade aglutinando consistentemente as pessoas, proporcionando a cada uma a garantia de atividade producente de sua vida boa, sem dor no corpo e sem angústia na alma, e no fato de que, como afirmou Péricles, há dois mil e seiscentos anos: “Sou livre porque não obedeço a homem algum, mas somente à Lei, que eu mesmo elaborei.”

Sim, a sociedade é uma criação do homem, mas o homem a cria por uma tendência natural, como a formiga fabrica o formigueiro e a abelha a colmeia, porque esses três animais são animais sociáveis, como explicava Aristóteles, e à feição daquilo que ele presentemente é e necessita,. Mas, a primeira condição, para que haja sociedade humana é que haja paz, tranquila coexistência, concordância, entre a amplíssima multidão de diversidades. E nos tempos atuais, a Era da Informação, essa concordância se fundamenta na igualdade efetiva de direito à vida boa como já pensavam Platão, Aristóteles e Epicuro, há dois mil e seiscentos anos, e que este último condensava em pequena e expressiva máxima: “uma vida boa, sem dor no corpo e sem angustia na alma”. O Estado é um meio, o mais importante meio para que todos os cidadãos realizem o seu projeto individual de vida boa, sem dor no corpo e sem angústia na alma, em qualquer circunstância da vida, desde que viva segundo a Lei.

Esta, portanto, é a essência de qualquer Constituição moderna – “Uma vida boa, sem dor no corpo e sem angústia na alma.”- em qualquer circunstância da vida, para qualquer pessoa humana, que, sem consulta prévia, foi lançada e aceita na sociedade dos homens.

É por isso, que julgo correta e louvável a Constituição Brasileira Social Democrática, haja vista os artigos:.
3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:
 I - construir uma sociedade livre, justa e solidária;
II - garantir o desenvolvimento nacional;
III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais;
IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. 
e
Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição. (Artigo com redação dada pela Emenda Constitucional nº 90, de 2015)
que os governos até hoje eleitos, todavia, vêm impedindo cumprir-se plenamente: “Art. 14. A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos, e, nos termos da lei, mediante:
 I - plebiscito;
II - referendo;
III - iniciativa popular.

Nada obstante, o TÍTULO VIII - Da Ordem Social impõe ao povo brasileiro a orientação social democrática preponderante no ambiente cultural da civilização contemporânea:  “Art. 193. A ordem social tem como base o primado do trabalho, e como objetivo o bem-estar e a justiça sociais.”, que os capítulos detalhadamente prescrevem, esclarecendo, tratar-se de obrigação dos Poderes Púbicos e de toda a sociedade, e consequentemente, como o perfaz explicitamente nos artigos 201 e 202, das entidades dedicadas à realização de negócios, as produtoras da riqueza nacional: Capítulo II-Da Seguridade Social e da Saúde, Capítulo III-Da Educação, da Cultura e do Desporto, Capítulo IV-Da Ciência e Tecnologia, Capítulo VI-Do Meio Ambiente, Capítulo VII-Da Família, da Criança, do Adolescente e do Idoso.

Assim, não consigo entender como Dr. Salim, cidadão que deve possuir excepcional nível de conhecimento e cultura para ser convidado a  ocupar a Secretaria de Desburocratização, não apenas confunda desburocratização com a eliminação das instituições consideradas atualmente pelo mundo culto como as produtivas de uma sociedade cujo ambiente é propício a promover “a vida boa, sem dor no corpo e sem angústia na alma” em cada participante individual, como, ao que parece, julga poder até realizar esse plano sem substituir essa Constituição por outra de um Estado  simplesmente liberal.

A substituição da atual Constituição Brasileira Social Democrática pode até ser possível, penso, mas de forma autoritária, não democrática e confrontando as diretrizes da Organização das Nações Unidas à qual o Brasil se vangloria de pertencer e anualmente proferir o discurso de abertura dos serviços, cuja Declaração dos Direitos Universais do Homem contém os seguintes artigos:
Artigo I Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade.
Artigo III Todo ser humano tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.
Artigo XXII Todo ser humano, como membro da sociedade, tem direito à segurança social, à realização pelo esforço nacional, pela cooperação internacional e de acordo com a organização e recursos de cada Estado, dos direitos econômicos, sociais e culturais indispensáveis à sua dignidade e ao livre desenvolvimento da sua personalidade.
Artigo XXIII 1. Todo ser humano tem direito ao trabalho, à livre escolha de emprego, a condições justas e favoráveis de trabalho e à proteção contra o desemprego. 2. Todo ser humano, sem qualquer distinção, tem direito a igual remuneração por igual trabalho. 3. Todo ser humano que trabalha tem direito a uma remuneração justa e satisfatória, que lhe assegure, assim como à sua família, uma existência compatível com a dignidade humana e a que se acrescentarão, se necessário, outros meios de proteção social. 4. Todo ser humano tem direito a organizar sindicatos e a neles ingressar para proteção de seus interesses.
Artigo XXIV Todo ser humano tem direito a repouso e lazer, inclusive a limitação razoável das horas de trabalho e a férias remuneradas periódicas. Artigo XXV 1. Todo ser humano tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar-lhe, e a sua família, saúde e bem-estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis, e direito à segurança em caso de desemprego, doença, invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda dos meios de subsistência em circunstâncias fora de seu controle. 2. A maternidade e a infância têm direito a cuidados e assistência especiais. Todas as crianças, nascidas dentro ou fora do matrimônio gozarão da mesma proteção social.  Artigo XXVI 1. Todo ser humano tem direito à instrução. A instrução será gratuita, pelo menos nos graus elementares e fundamentais. A instrução elementar será obrigatória. A instrução técnico-profissional será acessível a todos, bem como a instrução superior, esta baseada no mérito. 2. A instrução será orientada no sentido do pleno desenvolvimento da personalidade humana e do fortalecimento do respeito pelos direitos humanos e pelas liberdades fundamentais. A instrução promoverá a compreensão, a tolerância e a amizade entre todas as nações e grupos raciais ou religiosos, e coadjuvará as atividades das Nações Unidas em prol da manutenção da paz. 3. Os pais têm prioridade de direito na escolha do gênero de instrução que será ministrada a seus filhos.  Artigo XXVIII Todo ser humano tem direito a uma ordem social e internacional em que os direitos e liberdades estabelecidos na presente Declaração possam ser plenamente realizados. Artigo XXIX 1. Todo ser humano tem deveres para com a comunidade, na qual o livre e pleno desenvolvimento de sua personalidade é possível. 2. No exercício de seus direitos e liberdades, todo ser humano estará sujeito apenas às limitações determinadas pela lei, exclusivamente com o fim de assegurar o devido reconhecimento e respeito dos direitos e liberdades de outrem e de satisfazer as justas exigências da moral, da ordem pública e do bem-estar de uma sociedade democrática. 3. Esses direitos e liberdades não podem, em hipótese alguma, ser exercidos contrariamente aos objetivos e princípios das Nações Unidas. Artigo XXX Nenhuma disposição da presente Declaração pode ser interpretada como o reconhecimento a qualquer Estado, grupo ou pessoa, do direito de exercer qualquer atividade ou praticar qualquer ato destinado à destruição de quaisquer dos direitos e liberdades aqui estabelecidos.”

Com base nessa Declaração de Direitos, a ONU não se contenta com restringir-se a avaliar os países pela produção de riqueza, o PIB. Ela instituiu o índice de Felicidade Nacional que abarca a avaliação de nove áreas da vida humana em sociedade: bem-estar psicológico, saúde, uso do tempo, vitalidade comunitária, educação. cultura, meio ambiente, governança e padrão de vida. Segundo essse Índie, no ano de 2017, o país mais feliz do mundo era a Noruega, enquanto os Estados Unidos ocupavam apenas o 13º lugar e a China o 86º. Como se percebe, a ONU valoriza os países, segundo  um critério social democrático de sociedade e de Estado, inspirado na mentalidade prevalecente nos altos nichos culturais da civilização contemporânea.

Assim, acho-me justificado em divergir não apenas da opinião do Dr. Salim sobre a Constituição Brasileira social democrática, como também de vários critérios básicos da reforma da previdência social promovida pelo eminente Ministro Paulo Guedes, como já manifestei aqui neste blog em textos anteriores, especificamente na substituição da fórmula da  seguridade pela do financiamento preponderantemente pessoal. Discordo do espírito que pervaga a formulação da LC108/01, bem como da recente RESOLUÇÃO Nº 23, de 18 de janeiro de 2018 da CGPAR, que orientou o Banco do Brasil em toda essa longa e dolorida negociação entre Banco do Brasil e funcionários sobre a capitalização da CASSI, por motivos que também já expus em textos deste blog sobre a matéria.